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  Exame Experimental 2006: 2ª etapa acontece em 05/11

Pelo segundo ano consecutivo, o Conselho está promovendo o Exame Experimental de avaliação dos sextanistas em Medicina. A 1ª fase aconteceu em 22/10 e a 2ª está agendada para dia 05/11.


Pelo segundo ano consecutivo, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) está promovendo o exame experimental de avaliação dos estudantes do sexto ano de Medicina do Estado de São Paulo.

A primeira etapa do exame deste ano aconteceu em 22 de outubro em todas as cidades que contam com cursos de Medicina (relação abaixo).

A segunda etapa será realizada no dia 5 de novembro de 2006, somente na capital.

Assim como em 2005, o exame foi organizado pela Fundação Carlos Chagas, instituição com larga experiência em concursos públicos. A comissão encarregada da elaboração e aplicação do exame é coordenada pelo conselheiro do Cremesp, Dr. Bráulio Luna Filho.

Atualmente há 28 escolas médicas em atividade no Estado, sendo que 23 delas têm, ao todo, cerca de 2.200 alunos no sexto ano. As demais, como foram abertas há menos de seis anos, ainda não formaram as primeiras turmas.

Os docentes das faculdades de Medicina foram convidados para contribuir com a elaboração do conteúdo do exame e representantes das escolas poderão acompanhar de perto as provas, com o envio de observadores.

A avaliação é restrita ao Estado de São Paulo e não tem similaridade com o “exame de ordem” da OAB. A participação no exame não é obrigatória e não é um pré-requisito para a habilitação do médico ao exercício profissional da Medicina. O Conselho não tem o objetivo de instituir um exame obrigatório capaz de impedir que os reprovados obtenham o registro e o CRM de médico. O estudante que for aprovado no exame do Cremesp receberá um certificado, que poderá ser útil no currículo pessoal e no mercado de trabalho.

Trata-se de mais uma proposta de avaliação do ensino médico que vem somar-se a outras medidas que tem sido implementadas, como a avaliação permanente in loco realizada pelas próprias faculdades durante todo o processo de graduação; e a avaliação periódica e pontual realizada pelo MEC (atual ENADE, antigo Provão), dentre outras.

A primeira etapa do exame do Cremesp contou com uma prova cognitiva, com questões nas áreas de Pediatria, Ortopedia, Ginecologia e Obstetrícia, Cirurgia Geral, Clínica Médica, Saúde Pública, Saúde Mental, Bioética e Ciências Básicas.

Já a segunda prova irá simular situações clínicas e problemas práticos, englobando 3 questões nas áreas de Pediatria, Clínica Médica, Cirurgia, Saúde Mental, Ginecologia, Obstetrícia e Bioética.
 
Estão participando do exame os estudantes das seguintes escolas médicas:

Instituição  -   alunos do 6º ano  -   Local da 1ª fase
 
Centro Universitário Barão de Mauá  -  54  -  Rib. Preto
Centro Universitário Lusíada   -   117  -  Santos
Fac. de Ciências Médicas da Sta Casa  -    91   -  São Paulo
Fac. de Medicina da Puccamp  -  80  -  Campinas
Fac. de Medicina da Usp    -  160   -  São Paulo
Fac. de Medicina de Botucatu/Unesp  -  92   -  Botucatu
Fac. de Medicina de Catanduva   -  65   -  Catanduva
Fac. de Medicina de Jundiaí   -  66   -  Jundiaí
Fac. de Medicina de Marília   -  80   -  Marília
Fac. de Medicina de Rib. Preto/Usp -   109   -  Rib. Preto
Fac. de Medicina de São J. do Rio Preto   -  62   -  São J. do Rio Preto
Fac. de Medicina do Abc    -  108   -  Santo André
Fac. de Medicina Santo Amaro-Unisa -   75   -  São Paulo
Puc SP - Fac. de Medicina de Sorocaba   -  95   -  Sorocaba
Unicamp    -  114   -  Campinas
Unifesp/Escola Paulista de Medicina   -  115   -  São Paulo
Univ. de Ribeirão Preto - Unaerp   -  122   -  Ribeirão Preto
Universid. Metropolitana de Santos   -  85   -  Santos
Universidade de Marilia – Unimar   -  134   -  Marilia
Universidade de Mogi das Cruzes   -  60   -  Mogi das Cruzes
Universidade de Taubaté   -  86   -  Taubaté
Universidade do Oeste Paulista   -  140   -  Pres. Prudente
Universidade São Francisco – USF   -   87  -  Br. Paulista

Em 2005, alguns resultados foram preocupantes

Em 2005 a média de acertos na primeira fase, que contou com cerca de 1.000 participantes,  foi de 75,68% da prova. A nota mínima foi o acerto de 45 questões e a nota máxima foi o acerto de 102 questões (entre 120). No conjunto dos alunos esta média revelou resultado satisfatório. Com relação à segunda fase, os participantes de 2005 tiveram média de 7,6%, superior ao mínimo de 6, média considerada satisfatória pelos organizadores do exame. O maior percentual de acertos na segunda fase foi 9,5% e o menor resultado foi 5,67%.
 
Na avaliação do conjunto de resultados da primeira e segunda fases foram observadas limitações dos participantes em algumas áreas, como de saúde pública e medicina preventiva. Por exemplo, apenas 17% acertaram a questão referente ao adequado preenchimento do atestado de óbito. Participantes de várias escolas também não conseguiram acertar questões de obstetrícia relacionadas ao atendimento ao parto. Foi preocupante o resultado em relação aos conhecimentos sobre diagnósticos e condutas em emergência, a exemplo de infarto e traumas. Nestes casos, nas duas fases a média de acertos foi inferior a 40%. E são principalmente os médicos recém-formados que ocupam as portas de entrada de urgência e emergência na rede de saúde, sobretudo nas periferias e pequenos municípios.

Os resultados do exame em 2005, tanto na primeira como na segunda etapa, não permitiram  concluir sobre a qualidade do curso médico oferecido por algumas escolas. Apesar da grande adesão ao exame, a distribuição dos estudantes não foi homogênea entre as diversas faculdades de Medicina. Várias escolas estiveram representadas na avaliação por um número expressivo de formandos. Mas para as escolas que tiveram baixa participação, o Cremesp não pôde inferir genericamente os resultados.

Daí a importância deste novo exame em 2006. Somente a continuidade da avaliação anual, com a consolidação de uma série histórica de exames , tornará  possível uma avaliação mais detalhada e comparativa entre as escolas. A avaliação da série de resultados também  permitirá ao Cremesp apontar a cada escola as principais deficiências identificadas.

Pesquisa do Datafolha comprova aceitação do exame

O Instituto Datafolha realizou para o Cremesp pesquisa de opinião sobre a aceitação do exame de avaliação dos estudantes do sexto ano de Medicina. Durante cinco meses, em 2005 e 2006, foram ouvidas 1253 pessoas, entre  médicos, estudantes de Medicina, população em geral e formadores de opinião (jornalistas, juristas, parlamentares etc) .

A maioria dos médicos (84%), dos formadores de opinião (100%) e da população (94%) considera o exame do Cremesp  uma iniciativa importante, aprova sua realização e acredita que a participação deveria tornar-se obrigatória. Esta postura, favorável à obrigatoriedade, é mais expressiva entre os formadores de opinião e a população.

Já os estudantes encontram-se divididos quanto à importância e aprovação da iniciativa. A maioria deles (56%) posiciona-se contra a obrigatoriedade da participação no exame.

Nos grupos entrevistados, as razões favoráveis à avaliação referem-se principalmente à necessidade de controle da qualidade do ensino médico. Por outro lado, as principais críticas daqueles que se opõem ao exame são: a avaliação deveria ser durante o curso e não no final; a avaliação deveria estar focada na faculdade e não no aluno; a avaliação é insuficiente para julgar a capacidade individual, dentre outros argumentos.

Denúncias contra médicos têm relação com ensino deficiente

Um dos motivos que contribuíram para a decisão do Cremesp de avaliar o ensino médico é crescimento do número de denúncias contra médicos. Nos últimos cinco anos – de 2000 a 2005 –  o número de denúncias recebidas pelo Cremesp aumentou cerca de 70%. Em 2000 foram recebidas 2.226; em 2005 foram registradas 3.855.

Dentre as denúncias, cerca de 25% envolvem supostos atos médicos caracterizados como imperícia, imprudência e negligência do profissional e podem representar potencial prejuízo à saúde e à vida do paciente. A maior parte das denúncias está relacionada à insatisfação diante de determinado atendimento, à publicidade e propaganda irregulares, aos problemas com atestados e perícias médicas, às dificuldades de relacionamento entre colegas de profissão, entre médicos e empregadores também médicos, dentre outras situações.

As denúncias encaminhadas formalmente ao Cremesp são transformadas em sindicâncias; destas, de 10 a 15% tornam-se processos ético-disciplinares que, após minuciosa instrução, são levados a julgamento. Em aproximadamente 50% dos casos os médicos são considerados culpados. Nestes casos, diante de infração ética comprovada, podem sofrer penas que vão desde a advertência sigilosa até a cassação do exercício profissional. Neste período de cinco anos, de 2000 a 2005, foram instaurados cerca de 3.000 processos ético-disciplinares.

O aumento do número de médicos (crescimento de 40% em cinco anos; atualmente há 90 mil médicos em atividade no Estado de São Paulo), a maior demanda por assistência à saúde, a maior conscientização da população quanto aos seus direitos e a constante melhoria da prestação de serviços por parte do Cremesp explicam, em parte, o aumento do número de denúncias.

No entanto, o crescimento de denúncias também está ligado à má formação dos médicos e às deficiências no ensino. Tem chamado a atenção do Cremesp o número expressivo de médicos inexperientes, com pouco tempo de atuação profissional, na relação dos denunciados.

Mais informações sobre o exame, você encontra no Portal da Fundação Carlos Chagas.

 
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