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6. Problemas freqüentes em parte das escolas de Medicina

A proliferação de escolas sem condições adequadas de ensino gerou uma série de distorções nos cursos de Medicina. Você terá a oportunidade de conferir, a seguir, as opiniões de renomados especialistas.

“Falta uma adequada formação e capacitação docente, na perspectiva da educação continuada e permanente. Em especial em metodologias ativas de ensino/aprendizagem e diversificação dos ambientes de aprendizagem, compatíveis com os futuros campos de trabalho dos médicos, portanto, que não se limitem aos bancos e laboratórios nos prédios das faculdades, bem como as redomas dos hospitais universitários e centros de saúde escola. Mas que envolvam também todos os cenários de prática do Sistema Único de Saúde, inclusive a saúde suplementar: convênios, cooperativas, clínicas e hospitais privados”.
Maurício Braz Zanolli, coordenador do curso de Medicina da Faculdade de Medicina de Marília

“O bom professor de medicina é uma matéria-prima em falta. Uma boa faculdade precisa de professores com a formação mínima necessária e pelo menos dez anos de formação acadêmica para ensinar. Nem sempre o melhor médico da cidade é um bom professor”.
Luiz Henrique Camargo Paschoal, diretor da Faculdade de Medicina do ABC

“Falta principalmente um hospital universitário adequado para dar suporte ao ensino. Falta vivência hospitalar, e o aluno acaba não tendo os conhecimentos necessário para exercer a Medicina.”
Giovanni Guido Cerri, diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

“Os problemas são variados e não atingem, de forma homogênea, as escolas médicas. Alguns merecem ser enumerados: currículos médicos em que a transmissão do conhecimento é enfatizada, sem uma aplicação prática na solução de problemas. Currículos em que os problemas principais de saúde não têm a ênfase adequada. Falta de ensino básico de boa qualidade e falta de integração entre as diversas áreas do ensino básico e as áreas clínicas. Falta de hospital escola, hospital escola desequipado ou sucateado. Ensino quase exclusivo no hospital e, dentro dele, em enfermarias, com pouca exposição à sociedade, às unidades básicas de saúde, ao ambulatório. Ensino centrado no diagnóstico e tratamento de doenças, sem ênfase na promoção da saúde, na prevenção, na reabilitação e reintegração à sociedade. Processos insuficientes de avaliação permanente do currículo. Capacitação docente insuficiente. Gestão do curso com pouca participação de docentes e estudantes”.
Milton de Arruda Martins, professor Titular da Disciplina de Clínica Geral e presidente da Comissão de Graduação da Faculdade de Medicina da USP.

“Muitas escolas pecam em não oferecer a seus alunos uma boa prática de internato. Pecam por se preocuparem em ensinar uma Medicina calcada na tecnologia diagnóstica e na formação exclusivamente hospitalcêntrica. Preocupam-se pouco em manter docentes bem preparados e com dedicação aos alunos”.
Ernani Geraldo Rolim e Lígia Andrade da Silva Telles Mathias, diretor e coordenadora do núcleo pedagógico da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

“Os cursos carecem de atividades práticas em serviços bem estruturados, em todos os níveis de atenção, e supervisão docente. A falta de incentivo à carreira docente - pouca valorização das atividades na graduação, baixos salários nas universidades públicas - tem afastado este profissional desta atividade. Falta modelo de exercício profissional. Há também dificuldade de compreensão do que é o SUS, da questão do direito à saúde.”
Ulysses Fagundes Neto, Rosana Fiorini Puccini e Edmund Chada Baracat, reitor, coordenadora de curso de Medicina e pró-reitor de graduação da Universidade Federal de São Paulo

“Houve época em que, ao ingressar numa Faculdade de Medicina, o jovem via seu futuro praticamente assegurado como médico. Hoje a situação é bastante diversa. Mudaram a universidade, o mercado de trabalho e os estudantes, muitos dos quais inadvertidamente compram a ilusão de que o diploma é a garantia do sucesso profissional. Ledo engano! A proliferação de Faculdades de Medicina nos últimos 20 anos, especialmente na rede privada, é a um só tempo o reflexo e a causa dessas mudanças. É excessivo o número de Faculdades de Medicina no Estado de São Paulo, abertas, na sua maioria, sem serem observados os indicadores médicos epidemiológicos ou demográficos, que traduzem as reais necessidades de saúde da população. Cabe a nós, representantes das universidades públicas e das entidades de classe responsáveis, cobrar do Estado mais critério e rigor na aprovação de novos cursos, bem como na fiscalização dos já existentes, zelando por sua excelência, em defesa dos interesses da população.”
José Carlos de Souza Trindade, reitor da Unesp

“As faculdades de Medicina devem estar preocupadas com a formação do médico geral, que vai atuar como clínico geral ou especializar-se. Com o avanço da medicina, das novas tecnologias e saberes, é premente a reformulação dos currículos no sentido de reverter a compartimentalização do indivíduo e humanizar o ensino da medicina, formando o médico capaz de realizar o atendimento conforme a hierarquização de cuidados proporcionados pelo SUS a adultos, crianças e adolescentes de ambos os gêneros, em nível primário, secundário geral, incluindo as emergências mais comuns e medidas de suporte vital básico e realizar seu aprimoramento continuado, selecionando, coletando e analisando a informação científica pertinente à prática profissional, mantendo-se cientificamente atualizado. As escolas devem proporcionar campos de estágio em todos os níveis da atenção médica, e a possibilidade da especialização por meio dos programas de residência médica credenciados.”

Lilian Tereza Lavras Costallat e Angélica Maria Bicudo Zeferino, diretora da Faculdade de Ciências Médicas e coordenadora de Ensino de Graduação em Medicina da Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP

 
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